Posts arquivados em Tag: resenha

06 mar, 2019

RESENHA: ESTILHAÇA-ME

Juliette não toca alguém a exatamente 264 dias. A última vez que ela o fez, que foi por acidente, foi presa por assassinato. Ninguém sabe por que o toque de Juliette é fatal. Enquanto ela não fere ninguém, ninguém realmente se importa. O mundo está ocupado demais se desmoronando para se importar com uma menina de 17 anos de idade. Doenças estão acabando com a população, a comida é difícil de encontrar, os pássaros não voam mais, e as nuvens são da cor errada. O Restabelecimento disse que seu caminho era a única maneira de consertar as coisas, então eles jogaram Juliette em uma célula. Agora muitas pessoas estão mortas, os sobreviventes estão sussurrando guerra – e o Restabelecimento mudou sua mente. Talvez Juliette é mais do que uma alma torturada de pelúcia em um corpo venenoso. Talvez ela seja exatamente o que precisamos agora. Juliette tem que fazer uma escolha: ser uma arma. Ou ser um guerreiro.

Juliette foi privada da sociedade quando viram que de fato representava um perigo, qualquer um que a toque está destinado a sofrer. Ninguém sabe o porquê, mas foi assim. Desde então, ela está a 264 dias sem que ninguém a toque. E sozinha. Até, é claro, que recebe um novo companheiro de cela, Adam, que nada mais é que um anjo em pessoa. Não vai ser tão fácil assim estabelecer uma relação com esse estranho que ela não sabe quem é, de onde veio e que não pode, jamais, tocá-la.
O que mais gostei do livro foi a narração de Juliette – e o que eu menos gostei foi esse nome. Vamos lá, a menina passou trezentos e tantos dias sem contato humano, era de se esperar que ela tivesse pensado muito durante esse tempo (e como!). Então, na primeira vez que se depara com o garoto, ela tem uma explosão frequente de pensamentos e o jeito que ela imagina e elabora a linha de raciocínio repleta de metáforas é muito bom. Apesar de ser um livro longo e ligeiramente devagar, sempre estive acompanhada da narrativa e do bom e velho romance. Eu amo como esse romance é descrito. Amo, amo, amo, amo. E nisso tudo também vem as descrições que são maravilhosas e sempre cumprem com a intenção.
Muitas das vezes fiquei frustrada com o comportamento dos personagens, mas ia e voltava aquela frase na cabeça “eu não sei como é aquela realidade” e esse foi um dos pontos fracos do livro. Por mais que eu estivesse adorando ler qualquer coisa que Juliette pensava, era um pouco mais complicado me inserir naquela atmosfera e eu não sei bem explicar o porquê. Tem livros que são extremamentes realísticos e outros que nem tanto – como é o caso desse. Digo e repito: mesmo assim não ofusca toda o glitter de Estilhaça-me e todas as continuações e contos.
Os dois personagens masculinos (Adam e Warner) costumam ser o oposto um do outro. Se um é meigo, gentil e doce, o outro vai ser aquela grosseria em pessoa que não poupa insultos independente de quem for. Um quer ver Juliette livre e o outro acredita nos poderes da garota como uma poderosa arma. É, sim, aquele bom e velho clássico que funciona muito bem aqui. Ele é um príncipe charmoso e tudo mais, mas e aquele ali?
Gostei muito do livro, infelizmente não foi aquele enredo que me prendeu de primeira (me arrastei muito para ler na primeira vez), mas fiquei muito feliz com o resultado. É uma leitura boa, daquela que você não consegue esquecer por um tempo, bom, bom, bom. É aquele livro que quando você chega na última página solta um suspiro, só não é aqueele bom que dificulta na hora de dormir e que não deixa de ficar na mente nem por um minuto. A nota que dou é 3 estrelinhas de 5.

27 fev, 2019

RESENHA: JANTAR SECRETO

Quatro garotos dividem um apartamento no Rio, cada um estuda um curso diferente. Dante é o narrador, faz administração e no período contrário trabalha em uma livraria. Leitão cursa ciência da computação e tem muitos problemas de autoestima e aceitação de como ele é. Miguel é aquele integrante do grupo que só vai descobrir no que eles estão envolvidos quando a bagunça está na metade, ele é o que faz medicina e, por fim, Hugo quer ser um chef requintado de um restaurante cinco estrelas.
Quando eu li o livro, comecei pela primeira página. Não pesquisei sinopse, resenha, não li na contra capa, não li na orelha… Nada, nada, nada. E isso me assustou muito. Se você pretende ler o livro de olhos fechados, pare por aqui. Vai ser incrível, eu te garanto. Mas se você está em dúvidas e prefere saber ao menos do que se trata, concordo e assino embaixo. Com essas informações que sabemos dos garotos e que eles dividem um apartamento, eu – sabendo da história, claro – digo a você que alguma coisa vai acontecer com o apartamento. Os quatro garotos vão quebrar e uma dívida enorme vai surgir na conta do apê.
Eles surgem com a ideia de fazer jantares em casa, estilo que acontecem na Inglaterra e Estados Unidos. Como é: você paga o convite online, um carro vem na sua casa te buscar, durante o trajeto você pode ou não saber para onde estar indo, até chegar na residência onde terá o seu jantar. Hugo pode cozinhar, Leitão pode anunciar o evento na internet, Dante pode tomar conta de toda a situação sendo o garçom e Hugo… Bem, Hugo pode ficar quietinho em um canto. Não vamos usar ele – agora.
Mas tudo começa a dar errado quando Leitão brinca no anúncio da internet e oferece *carne humana* recebendo uma enorme quantia por depósito. Uma quantia muito generosa e que poderia livrá-los de ir pra rua. Se essas pessoas pagaram tudo isso, no mínimo conhecem de carne. No mínimo, possuem dinheiro. No mínimo, eles não vão devolver o dinheiro. Eu vou deixar essa sinopse por aqui e fazer você pensar onde o Hugo entra nessa história. Agora vamos aos detalhes da narrativa.
Dante é quem narra o livro e eu te digo: é um processo de psicose desde a primeira página até a última. O personagem passa por todos os estágios de loucura, busca sensatez, fica perdido – muito perdido – e rasteja até o grand finale. De todos os personagens que poderiam narrar a história, Dante foi o que melhor fez isso. Ao mesmo tempo que ele pensava nas consequências do que estava fazendo e afundando os amigos ainda mais, ele olhava ao redor e pensava em suas famílias que precisavam do dinheiro, tinha de lidar com a pressão de consumidores externos e isso persistiu até tudo virar uma bola de neve. A narrativa é um pouco breve e dosada, tem descrições onde é necessário ter descrições e mais diálogo onde o importante é entender o jogo de palavras. O livro não coloca frase desnecessária, conversa que não tem sentido, imagens que estão lá só para preencher, não. Tudo que o autor coloca é com um propósito e isso é muito claro.
Pra terminar essa resenha, eu solto uma bomba. No final de 2018, foi divulgado que o filme teria uma adaptação cinematográfica – não consigo tirar da mente que será um Kubrick da vida – pelo diretor Felipe Barbosa, conhecido por “Casa Grande”.

13 fev, 2019

RESENHA: AS MIL PARTES DO MEU CORAÇÃO

Esse foi o primeiro livro da CoHo que eu li e eu nunca tinha lido nada igual. Collen Hoover é uma autora sensacional e eu descobri isso enquanto me surpreendia com a riqueza de detalhes que ela inseriu na história e com o rumo que o livro que tomava – um que jamais tinha passado pela minha cabeça.
Merit é a nossa protagonista e ela tem uma irmã gêmea, Honor. As duas são exatamente iguais no cabelo, comprimento e cor; voz e o jeito de andar; corpo… Tão perfeito entre as duas que o namorado de Honor a confundiu com a irmã e a beijou. É assim que nossa história começa e, acredite em mim, você nem faz ideia do que está por vir. A cada capítulo é uma nova bomba, um novo desafio para a família Voss que apenas acab
a quando Merit não conseguir mais lidar e tudo explodir na frente dela.
O livro é uma ficção doméstica, provavelmente o primeiro do gênero que li. Significa que o nosso enredo gira em torno dos moradores da Dolar Voss – nome da casa que abriga a família Voss que antes era uma igreja mas que foi comprada por causa de um cachorro que só latia. Deu pra entender?
A mãe de Merit teve câncer, o pai de Merit teve um caso com a enfermeira de Oncologia. Eles tiveram Moby, o irmão mais novo. Contando com Merit, Honor e Utah – irmão mais velho das gêmeas -, a casa abriga sete pessoas. Sim, a ex-mulher e atual moram juntas. Sim, a situação só piora a partir daí. Como se não bastasse, Sagan, namorado de Honor passa a viver constantemente na casa e não demora muito para outro convidado chegar, Luck, irmão de Victoria (não a mãe de Merit, a madrasta de Merit apesar do mesmo nome) que tem a finalidade de levar a família a mais loucura ainda.
Eu me apaixonei loucamente por esse livro pela realidade em que fui inserida. É muito vívido os conflitos internos de Merit como uma adolescente entregue de bandeja a uma família problemática e a cada vez que lia mais sobre ela, entendia mais e queria mais o bem dela. Fiquei tão íntima com a personagem que certas vezes fiquei com vergonha alheia por ela – coisa que nunca tinha acontecido comigo antes.O fato é que esse é um livro extraordinário de uma autora extraordinária que me fez pensar coisas extraordinárias. E essa leitura deveria ser obrigatória para todos os jovens entre 15 e 19 anos.
Hilário, dramático e crucial com certeza é uma das melhores leituras que já li. O recente de agosto do ano passado está disponível em todas as livrarias e também na internet. Vai querer o manual do adolescente com problemas familiares?
Meu 5 de 5 estrelinhas com gosto.

Sinopse:

Autora best-seller do New York Times aborda relacionamentos e transtornos mentais em uma narrativa que discute os limites do que é normal. Para Merit Voss, a cerca branca ao redor da sua casa é a única coisa normal quando o assunto é sua família, peculiar e cheia de segredos. Eles moram em uma antiga igreja, batizada de Dólar Voss. A mãe, curada de um câncer, mora no porão, e o pai e o restante da família, no andar de cima. Isso inclui sua nova esposa, a ex-enfermeira da ex-mulher, o pequeno Moby, fruto desse relacionamento, o irmão mais velho, Utah, e a gêmea idêntica de Merit, Honor. E, como se a casa não tivesse cheia o bastante, ainda chegam o excêntrico Luck e o misterioso Sagan. Mas Merit sente que é o oposto de todos ali. Além de colecionar troféus que não ganhou, Merit também coleciona segredos que sua família insiste em manter. E começa a acreditar que não seria uma grande perda se um dia ela desaparecesse. Mas, antes disso, a garota decide que é hora de revelar todas as verdades e obrigá-los a enfim encarar o que aconteceu. Mas seu plano não sai como o esperado e ela deve decidir se pode dar uma segunda chance não apenas à sua família, mas também a si mesma. As mil partes do meu coração mostra que nunca é tarde para perdoar e que não existe família perfeita, por mais branca que seja a cerca.