Posts marcados na categoria Livros

10 abr, 2019

AUTORES NACIONAIS PARA CONHECER

Eu acordei inspirada para mostrar autores nacionais que você deveria conhecer. Nessa lista eu coloquei autores famosos (poderiam ser um pouco mais) que vale a pena procurar os livros para conhecer. Então, logicamente, fugi de nomes como Paula Pimenta, Ana Beatriz Brandão e por assim vai. O meu dedo até tremia pra colocar Raphael Montes – até parece que não é só dele que falo no blog -, mas a intenção é conhecer novos talentos da literatura nacional. De qualquer jeito acabei falando dele. De novo.
Tentei por um autor por gênero. Será que deu certo?
Victor Bonini. Conheci ele com o livro “Colega de Quarto”, um suspense muito bem escrito e, caso não saiba, Victor é um repórter e na sua obra ele se baseou em casos que já havia trabalhado e isso dá uns créditos pro livro. Eric está levemente desconfiado de que tem alguém morando com ele, primeiro um par de chinelos, depois uma escova de dentes e um design de um thriller digno da primeira até a última página. Ele também escreveu outros dois livros, O Casamento e Quando ela desaparecer, o último ainda não foi lançado se eu não me engano (ou pelo menos não chegou na livraria aqui perto de casa).
Bruno Miranda. Eu coloquei ele aqui porque não conseguia pensar em outro autor para comédia romântica – é brincadeira. É autor de Azeitona, onde Ian e Emília supostamente estão grávidos (ela, claro) para participar de um reality show de adolescentes na mesma situação na tentativa de ganhar um cachê que ajudaria ambos os lados. Eu não sou muito boa para escrever o enredo do livro, então sugiro que busque a sinopse porque sinceramente é estranho falar “eles não estão juntos, mas estão e ela não está grávida, mas está”.
Carina Rissi é a nossa Jojo Moyes brasileira. Ela não cansa de turbinar as livrarias com seus romances e cada vez mais vem ganhando mais palco e espaço nas prateleiras. Autora da série Perdida e Procura-se um marido, é pedida certa para as apaixonadas de plantão. Em Perdida, Sofia se perde no século dezenove após comprar um celular novo e acaba encontrando aquilo que nunca esperaria: um príncipe perfeito. Será que voltar pro presente é tão importante assim?
Eduardo Cilto se popularizou de um tempo pra cá. Pelo canal literário Perdido nos Livros, por Traços e por Submerso – os dois livros publicados pelo autor. Em Traços, Matheus acompanha Beatriz na festa do colégio, mas termina a noite participando de um ritual místico para saber o que o futuro reservava para ele e a amiga. Assim que as velas que os cercavam se apagam e uma resposta esquisita encerra a cerimônia, Beatriz leva o resultado a sério e entende que deve fugir da cidade pequena para se encontrar com seu destino nas ruas da capital de São Paulo.
Vítor Martins é o autor que você não conhece e conhece. Autor de Quinze Dias e Um Milhão de finais felizes é mais um da lista de booktubers. Felipe está esperando por esse momento desde que as aulas começaram: o início das férias de julho. Finalmente ele vai poder passar alguns dias longe da escola e dos colegas que o maltratam. Mas as coisas fogem um pouco do controle quando a mãe de Felipe informa que concordou em hospedar Caio, o vizinho do 57, por longos quinze dias, enquanto os pais dele estão viajando. É uma confusão porque Caio era sua paixão de infância e o garoto não tem ideia sobre como falar disso.

30 mar, 2019

PRÊMIO POETIZE: FUI SELECIONADA E AGORA?

Então…
Eu me inscrevi faltando dois dias pra acabar o prazo de envio e desde então tudo foi uma correria, mas eu vou tentar explicar tudo direitinho sobre como foi a experiência de publicar um poeminha.

A vivara, que foi a editora que eu publiquei o poema, realiza esses concursos literários, procura originais e também investe em outras obras didáticas. Eu queria participar de algum concurso (de preferência romance) pra ter alguma noção do que é escrever profissionalmente, ter algo impresso pra falar que fui eu que escrevi, ter a sensação de autografar um livrinho, e aí fui. Pesquisando no google, quase todos os concursos tinham terminado, menos o Poetize.

É verdade que eu me sinto muito mais confortável na prosa do que no poema, mas mesmo assim fui. No Poetize que eu participei, de 2019, os poemas eram de tema livre com tamanho certinho de letra no word, envio por pdf, epub… Tem todas essas coisinhas no edital: http://www.premiopoetize.com.br/ embaixo da lista dos selecionados. Podia inscrever até dois por pessoa e era bem tranquilo, preenchi um formulário bem rapidinho sobre informações pessoas (só pode publicar acima de 16 ou com autorização dos pais) e eu acho que isso foi em outubro ou novembro. Depois de preencher, anexa o poema ou os poemas e envia, sem segredo.

O meu poema eu fiz meio que correndo porque não tinha nada salvo no computador que fosse lá aquelas coisas e decidi correr contra o tempo e saiu (até bom né) o No final do corredor. Eu meio que fiz uma convergência entre os temas de escravidão, a atuação do feminino no histórico nacional e mundial e relacionei isso tudo com o eu interior. Pensando assim não faz muito sentido, né? Hahaha. Depois que o livro chegou, eu dei uma folheada e vi que o tema sobre feminismo era o que mais aparecia, então eu fui mais certeira quanto ao tema e acho que isso ajudou na seleção. Toda a seleção é feita pela bancada da editora e tem um monte de regrinha também.

Umas semanas depois de ter mandando o texto, eu recebi o email de que o meu poema tinha sido selecionado pra fazer parte da antologia (yey). Junto veio a primeira parcela também. Pra se inscrever no concurso não precisa pagar nenhuma taxa, mas pra publicar precisa de um pouquinho (inscrição na biblioteca nacional, 10 exemplares do poetize por participante, o uso de direitos e tudo mais). No final, foram duas parcelas de 210,00 mais ou menos. De cara é um pouco dolorido e depois de pensar e pensar e pensar chego na conclusão de que vale a pena. Uma coisa é começar a escrever, literalmente, do nada. Outra coisa é começar sua história com ele “ah, do premiado autor do Poetize 2019”.

E a minha relação com os editores foi mais ou menos assim: recebia os emails dos editores quase toda semana pra ajeitar os últimos detalhes. Escolhi pseudônimo, nome que eu queria na obra, acertar o endereço de entrega… Foi bem legalzinho, e quando os livros chegaram eu fiquei muito feliz porque eles são muito gordinhos, muito mesmo. Depois de ter publicado e divulgado, comecei quase na mesma hora outros projetos de escrita (inclusive de poema que passei a amar escrever). Se teve uma coisa que aprendi com toda essa experiência, é a de que eu sou movida pela escrita e é isso que quero fazer pelo resto dos dias sem dúvida alguma.

06 mar, 2019

RESENHA: ESTILHAÇA-ME

Juliette não toca alguém a exatamente 264 dias. A última vez que ela o fez, que foi por acidente, foi presa por assassinato. Ninguém sabe por que o toque de Juliette é fatal. Enquanto ela não fere ninguém, ninguém realmente se importa. O mundo está ocupado demais se desmoronando para se importar com uma menina de 17 anos de idade. Doenças estão acabando com a população, a comida é difícil de encontrar, os pássaros não voam mais, e as nuvens são da cor errada. O Restabelecimento disse que seu caminho era a única maneira de consertar as coisas, então eles jogaram Juliette em uma célula. Agora muitas pessoas estão mortas, os sobreviventes estão sussurrando guerra – e o Restabelecimento mudou sua mente. Talvez Juliette é mais do que uma alma torturada de pelúcia em um corpo venenoso. Talvez ela seja exatamente o que precisamos agora. Juliette tem que fazer uma escolha: ser uma arma. Ou ser um guerreiro.

Juliette foi privada da sociedade quando viram que de fato representava um perigo, qualquer um que a toque está destinado a sofrer. Ninguém sabe o porquê, mas foi assim. Desde então, ela está a 264 dias sem que ninguém a toque. E sozinha. Até, é claro, que recebe um novo companheiro de cela, Adam, que nada mais é que um anjo em pessoa. Não vai ser tão fácil assim estabelecer uma relação com esse estranho que ela não sabe quem é, de onde veio e que não pode, jamais, tocá-la.
O que mais gostei do livro foi a narração de Juliette – e o que eu menos gostei foi esse nome. Vamos lá, a menina passou trezentos e tantos dias sem contato humano, era de se esperar que ela tivesse pensado muito durante esse tempo (e como!). Então, na primeira vez que se depara com o garoto, ela tem uma explosão frequente de pensamentos e o jeito que ela imagina e elabora a linha de raciocínio repleta de metáforas é muito bom. Apesar de ser um livro longo e ligeiramente devagar, sempre estive acompanhada da narrativa e do bom e velho romance. Eu amo como esse romance é descrito. Amo, amo, amo, amo. E nisso tudo também vem as descrições que são maravilhosas e sempre cumprem com a intenção.
Muitas das vezes fiquei frustrada com o comportamento dos personagens, mas ia e voltava aquela frase na cabeça “eu não sei como é aquela realidade” e esse foi um dos pontos fracos do livro. Por mais que eu estivesse adorando ler qualquer coisa que Juliette pensava, era um pouco mais complicado me inserir naquela atmosfera e eu não sei bem explicar o porquê. Tem livros que são extremamentes realísticos e outros que nem tanto – como é o caso desse. Digo e repito: mesmo assim não ofusca toda o glitter de Estilhaça-me e todas as continuações e contos.
Os dois personagens masculinos (Adam e Warner) costumam ser o oposto um do outro. Se um é meigo, gentil e doce, o outro vai ser aquela grosseria em pessoa que não poupa insultos independente de quem for. Um quer ver Juliette livre e o outro acredita nos poderes da garota como uma poderosa arma. É, sim, aquele bom e velho clássico que funciona muito bem aqui. Ele é um príncipe charmoso e tudo mais, mas e aquele ali?
Gostei muito do livro, infelizmente não foi aquele enredo que me prendeu de primeira (me arrastei muito para ler na primeira vez), mas fiquei muito feliz com o resultado. É uma leitura boa, daquela que você não consegue esquecer por um tempo, bom, bom, bom. É aquele livro que quando você chega na última página solta um suspiro, só não é aqueele bom que dificulta na hora de dormir e que não deixa de ficar na mente nem por um minuto. A nota que dou é 3 estrelinhas de 5.

27 fev, 2019

RESENHA: JANTAR SECRETO

Quatro garotos dividem um apartamento no Rio, cada um estuda um curso diferente. Dante é o narrador, faz administração e no período contrário trabalha em uma livraria. Leitão cursa ciência da computação e tem muitos problemas de autoestima e aceitação de como ele é. Miguel é aquele integrante do grupo que só vai descobrir no que eles estão envolvidos quando a bagunça está na metade, ele é o que faz medicina e, por fim, Hugo quer ser um chef requintado de um restaurante cinco estrelas.
Quando eu li o livro, comecei pela primeira página. Não pesquisei sinopse, resenha, não li na contra capa, não li na orelha… Nada, nada, nada. E isso me assustou muito. Se você pretende ler o livro de olhos fechados, pare por aqui. Vai ser incrível, eu te garanto. Mas se você está em dúvidas e prefere saber ao menos do que se trata, concordo e assino embaixo. Com essas informações que sabemos dos garotos e que eles dividem um apartamento, eu – sabendo da história, claro – digo a você que alguma coisa vai acontecer com o apartamento. Os quatro garotos vão quebrar e uma dívida enorme vai surgir na conta do apê.
Eles surgem com a ideia de fazer jantares em casa, estilo que acontecem na Inglaterra e Estados Unidos. Como é: você paga o convite online, um carro vem na sua casa te buscar, durante o trajeto você pode ou não saber para onde estar indo, até chegar na residência onde terá o seu jantar. Hugo pode cozinhar, Leitão pode anunciar o evento na internet, Dante pode tomar conta de toda a situação sendo o garçom e Hugo… Bem, Hugo pode ficar quietinho em um canto. Não vamos usar ele – agora.
Mas tudo começa a dar errado quando Leitão brinca no anúncio da internet e oferece *carne humana* recebendo uma enorme quantia por depósito. Uma quantia muito generosa e que poderia livrá-los de ir pra rua. Se essas pessoas pagaram tudo isso, no mínimo conhecem de carne. No mínimo, possuem dinheiro. No mínimo, eles não vão devolver o dinheiro. Eu vou deixar essa sinopse por aqui e fazer você pensar onde o Hugo entra nessa história. Agora vamos aos detalhes da narrativa.
Dante é quem narra o livro e eu te digo: é um processo de psicose desde a primeira página até a última. O personagem passa por todos os estágios de loucura, busca sensatez, fica perdido – muito perdido – e rasteja até o grand finale. De todos os personagens que poderiam narrar a história, Dante foi o que melhor fez isso. Ao mesmo tempo que ele pensava nas consequências do que estava fazendo e afundando os amigos ainda mais, ele olhava ao redor e pensava em suas famílias que precisavam do dinheiro, tinha de lidar com a pressão de consumidores externos e isso persistiu até tudo virar uma bola de neve. A narrativa é um pouco breve e dosada, tem descrições onde é necessário ter descrições e mais diálogo onde o importante é entender o jogo de palavras. O livro não coloca frase desnecessária, conversa que não tem sentido, imagens que estão lá só para preencher, não. Tudo que o autor coloca é com um propósito e isso é muito claro.
Pra terminar essa resenha, eu solto uma bomba. No final de 2018, foi divulgado que o filme teria uma adaptação cinematográfica – não consigo tirar da mente que será um Kubrick da vida – pelo diretor Felipe Barbosa, conhecido por “Casa Grande”.

13 fev, 2019

RESENHA: AS MIL PARTES DO MEU CORAÇÃO

Esse foi o primeiro livro da CoHo que eu li e eu nunca tinha lido nada igual. Collen Hoover é uma autora sensacional e eu descobri isso enquanto me surpreendia com a riqueza de detalhes que ela inseriu na história e com o rumo que o livro que tomava – um que jamais tinha passado pela minha cabeça.
Merit é a nossa protagonista e ela tem uma irmã gêmea, Honor. As duas são exatamente iguais no cabelo, comprimento e cor; voz e o jeito de andar; corpo… Tão perfeito entre as duas que o namorado de Honor a confundiu com a irmã e a beijou. É assim que nossa história começa e, acredite em mim, você nem faz ideia do que está por vir. A cada capítulo é uma nova bomba, um novo desafio para a família Voss que apenas acab
a quando Merit não conseguir mais lidar e tudo explodir na frente dela.
O livro é uma ficção doméstica, provavelmente o primeiro do gênero que li. Significa que o nosso enredo gira em torno dos moradores da Dolar Voss – nome da casa que abriga a família Voss que antes era uma igreja mas que foi comprada por causa de um cachorro que só latia. Deu pra entender?
A mãe de Merit teve câncer, o pai de Merit teve um caso com a enfermeira de Oncologia. Eles tiveram Moby, o irmão mais novo. Contando com Merit, Honor e Utah – irmão mais velho das gêmeas -, a casa abriga sete pessoas. Sim, a ex-mulher e atual moram juntas. Sim, a situação só piora a partir daí. Como se não bastasse, Sagan, namorado de Honor passa a viver constantemente na casa e não demora muito para outro convidado chegar, Luck, irmão de Victoria (não a mãe de Merit, a madrasta de Merit apesar do mesmo nome) que tem a finalidade de levar a família a mais loucura ainda.
Eu me apaixonei loucamente por esse livro pela realidade em que fui inserida. É muito vívido os conflitos internos de Merit como uma adolescente entregue de bandeja a uma família problemática e a cada vez que lia mais sobre ela, entendia mais e queria mais o bem dela. Fiquei tão íntima com a personagem que certas vezes fiquei com vergonha alheia por ela – coisa que nunca tinha acontecido comigo antes.O fato é que esse é um livro extraordinário de uma autora extraordinária que me fez pensar coisas extraordinárias. E essa leitura deveria ser obrigatória para todos os jovens entre 15 e 19 anos.
Hilário, dramático e crucial com certeza é uma das melhores leituras que já li. O recente de agosto do ano passado está disponível em todas as livrarias e também na internet. Vai querer o manual do adolescente com problemas familiares?
Meu 5 de 5 estrelinhas com gosto.

Sinopse:

Autora best-seller do New York Times aborda relacionamentos e transtornos mentais em uma narrativa que discute os limites do que é normal. Para Merit Voss, a cerca branca ao redor da sua casa é a única coisa normal quando o assunto é sua família, peculiar e cheia de segredos. Eles moram em uma antiga igreja, batizada de Dólar Voss. A mãe, curada de um câncer, mora no porão, e o pai e o restante da família, no andar de cima. Isso inclui sua nova esposa, a ex-enfermeira da ex-mulher, o pequeno Moby, fruto desse relacionamento, o irmão mais velho, Utah, e a gêmea idêntica de Merit, Honor. E, como se a casa não tivesse cheia o bastante, ainda chegam o excêntrico Luck e o misterioso Sagan. Mas Merit sente que é o oposto de todos ali. Além de colecionar troféus que não ganhou, Merit também coleciona segredos que sua família insiste em manter. E começa a acreditar que não seria uma grande perda se um dia ela desaparecesse. Mas, antes disso, a garota decide que é hora de revelar todas as verdades e obrigá-los a enfim encarar o que aconteceu. Mas seu plano não sai como o esperado e ela deve decidir se pode dar uma segunda chance não apenas à sua família, mas também a si mesma. As mil partes do meu coração mostra que nunca é tarde para perdoar e que não existe família perfeita, por mais branca que seja a cerca.

30 jan, 2019

RESENHA: ENTRE O AMOR E O SILÊNCIO

Oi de novo! Eu vim aqui te mostrar livros e perguntar o que tá esperando pra ler.
Depois de um incidente de relacionamento (imagina um coração bem partido, imaginou? Agora quebra dez vezes mais, quebrou? Ainda tá longe), Francesca decidiu não se envolver mais e a garota tinha muitas razões. Ela dedica-se, então, ao livro que escreve e às atividades voluntárias, lendo o que escreve para pacientes em coma. Designada para ler para um empresário bem sucedido, percebe que ninguém o visita e a relação dos dois fica cada vez mais próxima. Mas é aquela história, né. Quem diz que não quer se apaixonar, logo se apaixona e não foi diferente com a Fran. Só que… com um dos pacientes em coma para quem lia, Mitchell.
A garota reconhece a loucura disso e mesmo assim fica com a cabeça martelando: e se ele acordasse?

Em primeiro lugar o livro já me surpreendeu antes mesmo de ler, é de uma autora nacional! Uhu. Nesses tempos em que ao entrar na livraria só encontramos livros estrangeiros, ter um livro de uma brasileira ali pertinho na parte dos mais vendidos do lado de John Green e Rachel Cohn (já resenhados no blog) é impressionante demais. Em segundo lugar: wow, olha esse enredo, é aquele tipo de história que, claro, existem livros e filmes abordando o assunto, mas mesmo assim foge ligeiramente do padrão de uma heroína com uma maldição ou lutando contra um sistema ou sendo a chave pra outro universo. E eu adorei essa fuga de contexto, me senti mais perto da história, não foi difícil para de repente estar junto com a protagonista lendo para um garoto inconsciente dentro de um hospital.

Nos primeiros capítulos o enredo é mais introdutório em cima dos dois personagens que o livro mais trabalha: Francesca e Mitchell. A Fran – ou Frances para os íntimos – muda para um apartamento em Nova York e não perde tempo, vai logo enchendo a grade horária de atividades para conhecer novas pessoas e aprender sobre tudo no novo lugar. Ela teve uma infância conturbada quando o pai a deixou e nunca mais deu notícias, isso abala a garota e deixa que ela tenha uma característica tanto super sensível quanto frágil a ponto de quebrar de novo a qualquer momento. Mesmo com os empecilhos, Fran se apaixona por Vince, um aclamado diretor de cinema, só que ele não é lá o namorado do ano. Depois de brigas e mais brigas e traições e corações partidos, Fran termina com ele (uma, duas, três) e decide sair de toda essa confusão de amor ao se dedicar ao livro e ao projeto voluntário.

Mitchell Petrucci é um empresário importante, super bem sucedido e aquele nome que é ouvido o tempo todo no mundo dos negócios. Inteligente, bonito, implacável, tudo que Frances busca em um cara… se não estivesse em coma.

O livro não deixa a desejar na história que é extremamente envolvente apesar de possuir várias e várias e várias páginas em que não acontece muita coisa (pra ser mais específica 170), mas com um pouquinho de paciência a gente chega lá. Existem alguns erros por todo o livro, tranquilos porque são de diagramação, formato e tudo mais, de boas de deixar passar também. O romance é beem lento, água com açúcar e super singelo, nada muito imprevisível, perfeito para chorar e querer jogar o livrão de quinhentas páginas na parede.

23 jan, 2019

RESENHA: AONDE QUER QUE EU VÁ

Deu um orgulhinho de ver uma autora nacional contando uma história que em parte se passa aqui (uhu).
A Confederação Brasileira de Ginástica a escolhe como representante nacional nos Jogos Olímpicos em Sydney, 2000. Ester vivencia um paradoxo entre o caos de um campeonato mundial e seu amor incondicional pelo esporte, tendo que vencer seus próprios medos e conflitos longe de sua família. O pior acontece; a ginasta, abalada, volta ao Brasil, onde um reencontro inesperado renova sua esperança. Mas será o amor a força suficiente para mover não apenas seu corpo, mas todo seu coração?
Tocante e profundamente sensível, este romance irá te emocionar e te fará enxergar que a felicidade é possível mesmo diante das incompreensíveis surpresas do destino.

2018 tem olimpíada e olha essa história pra lacrar com tudo! Ester é a nossa protagonista, como você viu lá em cima, uma ginasta de vinte anos apaixonada pelo que faz e foi escolhida para representar o Brasil nas olimpíadas de 2000 na Trave. Os treinamentos logo deixam de ser brincadeira e Ester rala dia e noite para fazer bonito em Sydney e no momento que as provas começam todo o cansaço se esvai, a garota foi feita pra fazer aquilo.

Isabela e Gabriela são duas outras garotas que acompanham a Ester, as duas amigas da garota disputam categorias diferentes: barras assimétricas e solo. Por um incidente na perna, Gabi não poderá mais participar e Ester assumirá o lugar dela, ou seja, concorrerá em duas modalidades. E outro baque em seguida, os pais de Ester não irão para Sydney.
Contrariando a treinadora e surpreendendo a todos, no primeiro dia no novo lugar Ester participa de uma festa onde encontra um garoto que mais que mexe com todo o sistema dela. Com o sonho em primeiro lugar, ela nunca namorou sério e tenta não se permitir de distrações, o garoto, que também é brasileiro, volta para casa no dia seguinte e os dois perdem contato.

A olimpíada acaba virando um pesadelo e Ester logo volta para casa, onde passa por um encontro inesperado e a busca de uma força para se recuperar.
Não adianta dizer que não é seu tipo de livro, você vai ler, sim. O livro é sensacional e eu amei de verdade ver que a história se passa no Brasil, pelo menos o foco inicial. A trajetória de Ester é impressionante a partir do momento que cai na olimpíada até quando vira pra trás e vê o que conseguiu conquistar. O livro mostra que por trás de cada queda há uma ascensão, nos faz pensar duas vezes nas coisas mais pequenininhas e ensina que em cada um de nós há uma força estrondosa para seguir em frente, principalmente ao redor das pessoas que mais amamos. E aí, vai preparar os lencinhos?

17 jan, 2019

RESENHA: JUNTANDO OS PEDAÇOS

Jack tem prosopagnosia, uma doença que o impede de reconhecer o rosto das pessoas. Quando ele olha para alguém, vê os olhos, o nariz, a boca… mas não consegue juntar todas as peças do quebra-cabeça para gravar na memória. Então ele usa marcas identificadoras, como o cabelo, a cor da pele, o jeito de andar e de se vestir, para tentar distinguir seus amigos e familiares. Mas ninguém sabe disso — até o dia em que ele encontra a Libby. Libby é nova na escola. Ela passou os últimos anos em casa, juntando os pedaços do seu coração depois da morte de sua mãe. A garota finalmente se sente pronta para voltar à vida normal, mas logo nos primeiros dias de aula é alvo de uma brincadeira cruel por causa de seu peso e vai parar na diretoria. Junto com Jack. Aos poucos essa dupla improvável se aproxima e, juntos, eles aprendem a enxergar um ao outro como ninguém antes tinha feito.

Jennifer Niven é de longe uma das minhas autoras preferidas, sempre abordando em seus livros temáticas polêmicas e incríveis histórias de superação. Depois de ter lido o primeiro livro da autora, Por Lugares Incríveis (que, aliás, é um baita tapa na cara), estava esperando um enredo cheio de amor, choro, desastre e paixão. Não deu certo, não. Juntando os Pedaços é uma história bem afastada do universo de Violet e Finch, bem mesmo. É tão afastada que é provável que nem conheçam o dia em que todos flutuaram sobre a terra. Enfim, o que quero dizer é que a ideia da autora permanece. No primeiro livro tratou daquilo e no segundo tem muito mais.

Depois de anos afastada da escola, Libby, nossa protagonista, está pronta pra voltar, construir-se de novo e deixar de ser a garota mais gorda dos Estados Unidos. Só que bullying está presente das escolas desde os primórdios dos tempos e na escola de Libby não é diferente, ela percebe que não importa o que faça sempre será a garota gorda que foi afastada do colégio e que um dia precisou de um guindaste pra se locomover. Os garotos da escola não perdoam, ela emagreceu mais de cem quilos, mas nada disso importa enquanto continuar encontrando pessoas que só se importam com o número da balança.

Jack é o nosso outro lado da história, o segundo protagonista e um dos garotos mais populares do colégio. Perfeito, risonho, bonito, a idealização de um rei escolar a quem todos prestam reverência, garoto que todas as garotas queriam ter e que todos os garotos queriam ser, namorado da princesa da escola e um dos maiores bullys. O único problema é sua doença, prosopagnosia, que o impede de reconhecer rostos e para manter isso em segredo, Jack não faz discriminação e acaba sendo ríspido, grosso e idiota com todo mundo. E assim surge a Libby na história que se inicia com alguns empecilhos de bullying e que logo se transforma em uma história de amizade e perdão.
Apesar da temática abordada, o livro possui uma história fofa e divertida.