17 abr, 2019

A POLÊMICA DE CAPITÃ MARVEL

Eu entrei no cinema imaginando tudo de bom e do melhor pro filme. Eu acompanho a saga dos Vingadores, então se alguém me diz que a Capitã Marvel vai ser a salvadora de todo o planeta dessa vez, eu aplaudo bem antes do filme. Mas a obra tem gerado muitas controvérsias, divisão de opiniões e muita rixa com outras indústrias de cinema. Eu vou tentar explicar o porquê.
É verdade que ninguém nunca tinha ouvido falar de Capitã Marvel fora dos quadrinhos até a cena final de Vingadores: Guerra Infinita. Também é verdade que, em dez anos de Marvel, esse foi o primeiro filme com uma protagonista feminina. Outro ponto: em todo o filme apenas vemos ela, não tem um Homem de Ferro aparecendo de repente para dar bronca em um Peter Parker ou um Doutor Estranho abrindo um portal para outro país quando Thor o questiona sobre Odin. Não, não tem nenhum outro herói que dê essa sensação de familiaridade – salvo o Fury. Além disso, tem uma enorme horda da DC – eu amo vocês – de pé com paus e pedras pra dizer que Capitã Marvel só existe em oposição a Mulher Maravilha.

Nessa confusão toda, eu acho muito difícil isolar os pensamentos de todos os comentários externos e ter uma opinião própria do filme – sem dar aquele “mas na HQ…” ou “no universo Marvel…” -, vamos, por um instante pensar no filme como um filme. Pode ser?
Não temos um histórico concreto da nossa heroína, ela não se lembra muito da infância e isso a incomoda em seus treinamentos. Vers é uma Kree, uma raça alienígena de nobres guerreiros que defende a nação e a galáxia inteira de invasores. Mas ela também tem furos na memória que precisam de uma explicação.

Em uma missão, Vers acaba presa na Terra, onde caça Skrull, raça inimiga dos Kree e chama atenção do serviço secreto – será que eu posso chamar eles assim? – principalmente de Fury. E é mais ou menos assim que o filme se desenrola. Vers, nossa Capitã, em um primeiro momento não tem uma história. Ela não é filha de Odin, herdeira do Trono, nem uma bilionária que acabou de descobrir uma nova forma de energia. Vers não sabe quem é e vai descobrir ao mesmo tempo que a gente.

Um dos pontos mais interessantes, é que nesse filme o feminismo é gritante, principalmente quando estamos falando de Hollywood. Vers não tem um par romântico, ela luta na guerra ao lado da melhor amiga – uma mãe solteira que pilota aviões do exército americano – Maria Rambeau. Desde pequena, foi dito a ela coisas que ela não poderia fazer (e que fez).

O filme todo se trata de Vers (ou Carol) descobrir quem ela realmente é e usar isso ao seu favor. Sem usar as palavras exatas, a Marvel faz o seu primeiro filme contando uma história sobre empoderamento feminino ao mesmo tempo que afirma que a era dos personagens masculinos está chegando ao fim. Ouvi muitas pessoas comentando sobre a atriz, que poderia ter sido mais convincente e coisa e tal, eu não vou mentir que não senti isso, mas na maior parte do tempo falava mais alto a ideia de “essa é a heroína mais forte da Marvel, tem que ter uma fraqueza” e tentava várias vezes descobrir um ponto negativo, enquanto que nos outros filmes da franquia, eu estava mais preocupada com a história – certamente eles também têm outros erros.

Embora seja um filme muito distante da Marvel e aquele com mais características que o diferencia dos outros, não deixa de ser um filme sobre uma heroína (a primeira delas) que cria o próprio destino, toma as rédeas da história e segue todos os seus instintos até o fim pelo que acha certo. Com muito amor pelo filme – entre as dezenas cenas que quase chorei – dou cinco estrelinhas.

Já viu o filme?

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